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quarta-feira, 7 de novembro de 2012
Entrevista de Celso Antunes no Bom Dia Pernambuco
O Bom Dia Pernambuco, da Rede Globo, recebeu o educador Celso Antunes para uma entrevista no estúdio, na manhã desta quarta-feira (7.11). Ele falou sobre a pedagogia do cuidado e como deve ser relação entre pais e filhos.
terça-feira, 6 de novembro de 2012
Entrevista de Celso Antunes na CBN
O educador Celso Antunes conversou com o apresentador Aldo Vilela, no programa CBN Total, na tarde desta terça-feira (6.11). A partir das 19h30, ele ministrará uma palestra no auditório da AABB, nas Graças. Confira abaixo.
Serviço
"Como educar? Pedagogia do Cuidado"
Quando: terça-feira (6/11/12)
Onde: Auditório da AABB (Av. Dr. Malaquias, nº 204 – Graças- Recife-PE)
Horário: 19h30
Ingressos: R$ 80 e R$ 40
Informações: 8656.0713/3032.4539
Rádio Jornal destaca palestra de Celso Antunes
O programa Super Manhã da Rádio Jornal, 780AM, destacou nesta terça-feira (6.11) a palestra do educador Celso Antunes. O evento será às 19h30, no Auditório da AABB, nas Graças. Confira abaixo.
Serviço
"Como educar? Pedagogia do Cuidado"
Quando: terça-feira (6/11/12)
Onde: Auditório da AABB (Av. Dr. Malaquias, nº 204 – Graças- Recife-PE)
Horário: 19h30
Ingressos: R$ 80 e R$ 40
Informações: 8656.0713/3032.4539
Bom Dia PE, da Globo, destaca palestra de Celso Antunes
A palestra do educador Celso Antunes desta terça-feira (6.11), no Auditório da AABB, nas Graças, foi destaque no Bom Dia Pernambuco, da Globo Nordeste (assista abaixo). O evento começará às 19h30 e os ingressos estão sendo vendidos no local e na Livraria Módulo, por R$ 80 (inteira) e R$ 40 (meia).
Serviço
"Como educar? Pedagogia do Cuidado"
Quando: terça-feira (6/11/12)
Onde: Auditório da AABB (Av. Dr. Malaquias, nº 204 – Graças- Recife-PE)
Horário: 19h30
Ingressos: R$ 80 e R$ 40
Informações: 8656.0713/3032.4539
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
Site Leia Já destaca palestra de Celso Antunes
O site Leia Já divulgou uma matéria no site sobre a palestra de Celso Antunes no Recife nesta terça-feira (6.11). Confira abaixo:
Pais e educadores do Recife terão a oportunidade de conhecer a Pedagogia do Cuidado, nesta terça-feira (5), às 19h30. O tema será abordado na palestra "Como educar? Pedagogia do Cuidado", pelo Membro da Associação Internacional pelos Direitos da Criança Brincar (Unesco), o renomado escritor e professor Celso Antunes.
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Pais e educadores do Recife terão a oportunidade de conhecer a Pedagogia do Cuidado, nesta terça-feira (5), às 19h30. O tema será abordado na palestra "Como educar? Pedagogia do Cuidado", pelo Membro da Associação Internacional pelos Direitos da Criança Brincar (Unesco), o renomado escritor e professor Celso Antunes.
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CBN destaca palestra de Celso Antunes
A palestra do educador Celso Antunes desta terça-feira (6.11), no auditório da AABB, foi destaque na CBN hoje. Confira no áudio abaixo como foi:
Serviço
"Como educar? Pedagogia do Cuidado"
Quando: terça-feira (6/11/12)
Onde: Auditório da AABB (Av. Dr. Malaquias, nº 204 – Graças- Recife-PE)
Horário: 19h30
Ingressos: R$ 80 e R$ 40
Informações: 8656.0713/3032.4539
domingo, 4 de novembro de 2012
Organizando o estudo e o aprendizado
Trailer do DVD - Organizando o estudo e o aprendizado - da coleção Celso Antunes I
sábado, 3 de novembro de 2012
Novas situações de aprendizagens
Trailer do DVD - Novas situações de aprendizagens - integrante da coleção Celso Antunes III
sexta-feira, 2 de novembro de 2012
Vídeo com Celso Antunes
Confira mais um vídeo com Celso Antunes. Na próxima terça-feira (6.11), ele estará aqui no Recife.
quinta-feira, 1 de novembro de 2012
Capacidades, habilidades e competências
Trailer do DVD - Capacidades, habilidades e competências - da coleção Celso Antunes I
Jogos Eletrônicos: um bem ou um mal
Por Celso Antunes*
Uma
questão que com extrema frequência é feita por professores, mas,
sobretudo por pais, diz respeito aos jogos eletrônicos que em pequenos
aparelhos manuais, fazem a festa do consumo para crianças de diferentes
idades, desde que em famílias com condição material para aceitar seu
assédio.
- É um bem? Ou é um Mal?
A
dificuldade da resposta não se escora em dúvidas cruéis. Sobre o tema
existem interessantes estudos realizados no Brasil, mas principalmente
que nos chegam do Japão, da Europa e dos Estados Unidos. A maior
dificuldade é se desejar responder de maneira maniqueísta, afirmando que
é um “bem” e assim atraindo para esses joguinhos todas as virtudes do
mundo, ou garantindo que é um “mal” e condenando sua construção e a
possibilidade dos pais no presente. Mais
certo seria afirmar que os tais jogos eletrônicos são, sob certos
ângulos um indisfarçável bem e são também um mal, se olhado por outro
aspecto. Vamos, pois, buscar o bom senso da resposta esclarecedora,
sem endeusar esses pequenos aparelhos, mas também sem a intenção de
demonizá-los.
Toda criança, ao se envolver em um joguinho eletrônico está estimulando seu cérebro, se colocando de maneira rápida e desafiadora em constantes “tomadas de decisões”
e o que mais se cobra na vida de uma pessoa que tomadas de decisões?
Além disso, quando esses jogos não expõem gratuita violência, exigem
sagacidade tátil e impõe desafios lógicos rápidos, úteis na estimulação
matemática, importante no desenvolvimento de pensamentos estratégicos,
desafiadores para o senso realista, competências importantes e que
dificilmente poderiam ser trazidas por outra brincadeira qualquer. Esse é, sem dúvida, sem lado bom.
O lado negativo é, entretanto claramente percebido em três contextos: o primeiro é que, solitário, retrai a criança e a afasta de imprescindível socialização, o segundo é que, obcecaste a
criança não quer largar o jogo por nada deste mundo e assim rouba de si
mesmo tempo imprescindível para outras atividades mentais e as
necessárias atividades físicas e, finalmente, porque dinâmicos em suas evoluções, os modelos comprados envelhecem do dia para a noite e as crianças se envolvem na doença perversa do consumismo, desejando a cada dia os jogos mais novos e mais desafiadores.
As
se colocar, de forma sumária, pontos positivos e os pontos negativos
dos jogos eletrônicos, não é difícil encontra-se o bom senso
intermediário de sempre que possível permitir seu uso, explorando seu
lado bom, mas restringindo-o com doce firmeza a duração prescrita e, dessa forma, anulando seu lado mau.
Mais ainda, ao se tomar a sábia atitude de disciplinar e restringir os momentos para o uso dos jogos eletrônicos pais e professores estão ensinando que a vida precisa sempre de regras para que possa ser bem vivida.
É
por assim pensar que a solução mais sábia parece ser não impedir o uso e
ajudar a criança a agilizar sua mente na tomada de decisões e em
estímulos inteligentes e desafiadores essenciais, mas restringir esse
uso para no máximo, duas horas por dia e assim levando toda criança a descobrir que a hora não é toda hora,
ao mesmo tempo ensinando-a a momentos de leituras e de conversas, de
pulos e estripulias, de bolas e de bolhas, de amigos e de lições.
* Bacharelato e Licenciatura: Geografia, Especialista em Inteligência e Cognição e Mestre em Ciências Humanas.
quarta-feira, 31 de outubro de 2012
Entrevista Celso Antunes - Parte 2
Qual o contexto familiar e social que envolve a classe social mais elevado nos dias de hoje para que isto ocorra?
Celso Antunes - O tema é bem mais amplo que a síntese essencial em uma resposta. De maneira geral a antiga solidez no conceito de “família” e de “educação” se liquefez e no desfazer de modelos clássicos, chega-se a ideias de família que agregam sem unir e onde muitas vezes se confunde afeto com o atendimento às provisões básicas a toda sobrevivência.
Quais são as reais implicações na vida das crianças (processo emocional e cognitivo) dos pais hoje delegar o cuidado a terceiros e não estarem presentes nas vidas de seus filhos? Ou até o contrário (minoria das vezes) o cuidado excessiva, “as redomas” que não permitem o crescimento e desenvolvimento saudável de seus filhos?
Celso Antunes - As implicações são múltiplas e seus efeitos irreversíveis. A criança, seja qual for o ambiente cultural ou econômico em que cresça, é ser imaturo e que necessita de bases sólidas para a construção de valores e para domínio de hierarquias em suas escolhas. Isso faltando (e falta pela carência, como falta pelo excesso permissivo de bens) as implicações são quase sempre amarga. A criança não mata, não rouba, não violenta; o adolescente algumas vezes mata, rouba e violenta e se isso ocorre não há como duvidar que ocorreram falhas irreversíveis no trajeto educativo da infância para a adolescência.
Neste contexto e realidade como os pais podem trabalhar a pedagogia do cuidado em casa?
Celso Antunes - O primeiro passo é adotarem linguagem comum, o segundo conhecer estratégias realistas para se trabalhar inteligências, ensinar valores e ajudar a criança a administrar estados de emoção.
Celso Antunes no Jornal do Commercio
A coluna Educ@ção do Jornal do Commercio desta quarta-feira (31.10) abriu espaço para a palestra que Celso Antunes fará no Recife na próxima terça-feira. Confira abaixo.
Celso Antunes aborda a Pedagogia do Cuidado no Recife
Membro da Associação Internacional pelos Direitos da Criança Brincar (Unesco), o renomado escritor e professor Celso Antunes, autor de mais de 180 livros didáticos e cerca de 60 livros sobre temas de Educação, ministrará uma palestra na próxima terça-feira (6.11), às 19h30,no Auditório da AABB, nas Graças. O tema será "Como educar? Pedagogia do Cuidado".
Mestre em Ciências Humanas, Antunes abordará os problemas que os pais enfrentam na educação dos filhos e apresentará a Pedagogia do cuidado, que está sendo terceirizado ou deixado de lado. O cuidado na medida certa, percebendo a dimensão mais ampla, inclusive limites, regras, frustrações que são construtores de uma educação libertadora e cidadã. Os ingressos para a palestra, que terá duração de 2h, custam R$ 80 e R$ 40 (para professores, estudantes e idosos). As entradas estão sendo vendidas na Livraria Jaqueira e Módulo.
"A essência da Pedagogia do Cuidado sintetiza-se na “humanização” das relações entre professores e alunos e no ensino a estes – para que depois pratiquem em sala de aula - os desafios e o cultivo da verdadeira amizade. Sabendo-se que o sentimento de afeto pelo outro não representa condição hereditária inerente a nossa espécie, é papel do educador de forma específica e da escola, de maneira mais ampla humanizar-se, ensinando e educado a prática das verdadeiras e autênticas relações interpessoais", comenta Antunes, que já ministrou palestras em todos os estados do País e no exterior.
A Pedagogia do Cuidado será abordada tanto para os pais utilizarem em casa quanto para os profissionais das redes de ensino. O educador comentará a importância da aplicação dessa teoria. "Os benefícios são despertar no aluno sua percepção autocrítica, permitindo uma leitura de mundo coerente e realista identificando a diversidade de seu potencial inteligente e compreendendo plenamente seu papel no mundo em que vive e que o desafia constantemente a conviver", explica.
A palestra é promovida pela Cuidare, que tem como objetivo auxiliar a construção de famílias felizes, através da orientação, acompanhamento e avaliação e entretenimento de pais, filhos, acompanhantes e educadores, resgatando o sentimento de eficácia e realização pessoal nos papéis de pais e filhos dentro e fora do núcleo familiar.
Serviço
"Como educar? Pedagogia do Cuidado"
Quando: terça-feira (6/11/12)
Onde: Auditório da AABB (Av. Dr. Malaquias, nº 204 – Graças- Recife-PE)
Horário: 19h30
Ingressos: R$ 80 e R$ 40
Informações: 8656.0713/3032.4539
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
De aluno comum a estudante espetacular
Por Celso Antunes*
Esta crônica se inspira em uma simples e rápida pesquisa que concluí. Durou menos de dois minutos e por essa razão se sugere que não a aceite, sem antes também fazê-la.
Apanhe um livro qualquer, dando preferência à literatura. Pode ser um romance, contos, podem ser crônicas. Tenha ao lado um relógio, preferencialmente com ponteiros, e registre o tempo que gastou para ler uma página. Não se trata de teste de leitura dinâmica e menos ainda qualquer processo competitivo e, assim, leia com calma e serenidade, refletindo sobre as idéias expostas e a conexão entre os períodos. Quanto tempo se gastou? A velocidade varia muito conforme as dificuldades do texto e a experiência do leitor, mas oscila entre um a dois minutos, permitindo dessa forma que se acredite que um minuto e meio é o tempo necessário para se ler, de maneira compreensiva, cerca de cento e setenta palavras por minuto.
Imagine agora uma pessoa que assuma o compromisso de investir quinze minutos – apenas quinze minutos diários – para se dedicar à leitura. Essa pessoa estará lendo dez páginas por dia, cerca de cem páginas em dez dias. Como em média os livros editados no país possuem cerca de 200 páginas é fácil concluir que esse dedicado leitor possa estar lendo nada menos que um livro a cada vinte dias, nada menos que 18 livros por ano.
Façamos agora uma pausa nessas reflexões e nos perguntemos o que de verdadeiramente útil e essencial cabe no espaço de 15 minutos diários. Uma atividade aeróbica ou uma caminhada pelo campo? Uma imersão reflexiva na profundidade de uma novela ou de uma peça teatral? Um esforço direcionado para a aprendizagem de uma língua estrangeira? Os trabalhosos cuidados para higiene corporal, maquiagem e arrumação da roupa que se vai usar? Salvo situações verdadeiramente excepcionais e até mesmo dignas de livros de recordes, os quinze minutos diários seriam muito poucos para qualquer uma dessas ou ainda de muitas outras atividades.
A qualidade de vida que hoje felizmente tanto se propala requer pelo menos o dobro desse tempo para uma atividade aeróbica, o quádruplo para capítulo inteiro de novela, bem mais que isso para a aprendizagem de uma língua e, sobretudo em se tratando de minha mulher, pelos menos duas horas ou mais para que se considere apressadamente arrumada. Nada contra o investimento no tempo gasto para essas atividades, pois a boa qualidade de vida exige a todos quantos podem do mesmo tempo dispor, mas a conclusão simples de que bem menos que o tempo que gastamos para muitas coisas, precisaríamos gastar para enriquecer o cérebro, viajar pelos sonhos, superar desafios, aprender saberes.
Não se está usando os minutos contidos nesta pesquisa para se dar um recado ou uma indireta aos professores que alegam nunca dispor de tempo para ler; afinal de contas se você chegou a esta linha é porque não se inclui nesse grupo, mas para que se tenha uma serena conversa com os alunos, mostrando pelo desafio estatístico que ler muito e ser excelente requer bem menos tempo que a primeira vista se imagina.
Talvez não se perceba com claro discernimento entre nossos alunos os que gastaram trinta minutos de seu dia em atividades corporais, mas todos os professores e os colegas, todos os familiares e os vizinhos distinguem com nítido orgulho quem leu e compreendeu, com metade desse investimento em tempo, cerca de sessenta obras em seu ciclo escolar.
* Bacharelato e Licenciatura: Geografia, Especialista em Inteligência e Cognição e Mestre em Ciências Humanas.
Entrevista Celso Antunes - Parte 1
1. Leonardo Boff, define desta forma o Cuidar - “é mais do que um ato ou uma atitude entre outras. Ele tem a ver com a essência do ser humano, com a sua identidade profunda, com a sua natureza. Nós não temos cuidado mas somos cuidado. O cuidado é um modo-de-ser essencial da pessoa humana e revela, de maneira concreta, como é o ser humano. Sem o cuidado ele deixa de ser humano. Se não receber cuidado, desde o nascimento até à morte, o ser humano desestrutura-se,definha, perde o sentido e morre. Tudo o que existe e vive - uma planta, um animal, uma criança, um idoso, o planeta Terra - precisa ser cuidado para continuar a existir e a viver.”
Você concorda com ele? Para você o que é “cuidar” e quais suas implicações nos seres humanos?
Celso Antunes - Concordo plenamente. Não apenas da forma como escreveu em seu último livro lançado pela Editora Vozes (O CUIDADO NECESSÁRIO) como pela honrosa citação que esse autor faz de meu livro (A PEDAGOGIA DO CUIDADO), como inclusive pelas agradáveis conversas que mantive com esse colega e admirável filósofo.
Não creio que tenha muito que acrescentar as citações de Leonardo, agregando apenas que especificamente em Educação (que é meu campo de atuação), o ato de cuidar envolve desde ideias sobre Sustentabilidade (Cuidar do planeta para que os ainda não nascidos o acolham com igual dignidade com que fomos acolhidos) como sobre Resiliência (Cuidar do outro e ver em seus anseios os nossos anseios).
2 - Em que consiste a pedagogia do cuidado? Qual sua metodologia ou pontos principais que precisam ser observados e até explorados?
CA - A essência da Pedagogia do Cuidado sintetiza-se na “humanização” das relações entre professores e alunos e no ensino a estes – para que depois pratiquem em sala de aula - os desafios e o cultivo da verdadeira amizade.
Sabendo-se que o sentimento de afeto pelo outro não representa condição hereditária inerente a nossa espécie, é papel do educador de forma específica e da escola, de maneira mais ampla humanizar-se, ensinando e educado a prática das verdadeiras e autênticas relações interpessoais.
3 Como educar hoje?
O livro “A pedagogia do cuidado”, escrito pelo Sr. e Dagmar Garroux narra a falta deste cuidado no contexto familiar e social de crianças, adolescentes e jovens de uma classe social mais baixa e expressa uma metodologia de cuidado aplicada por Tia Dag em uma instituição dentro de uma favela em São Paulo, que se preocupa na recuperação, na transformação, na educação de maneira real e plena dos seus alunos.
a) Você percebe esta falta ou até o excesso de cuidado presentes nas classes sociais mais elevadas do nosso país? Podemos dizer que o cuidado excessivo pode prejudicar?
CA - O cuidado excessivo não prejudica. O que, em verdade, representa grave prejuízo é confundir-se a ideia do “cuidar” com a de “mimar” ou de “presentear” em excesso, levando a criança à frivolidade do consumismo e a irresponsabilidade sobre a conquista de um bem.
A falta de cuidado, por sua vez, existe e é intensa, não apenas em comunidades vulneráveis, mas pela relutância com que muitos pais e professores têm em ensinar o “Não” e dessa forma confundir a ideia do cuidar que se associa a de “proteger” e “transmitir segurança” com a da permissividade que deseduca e fragiliza a criança ou jovem para, quando necessário, saber também dizer “Não”.
domingo, 28 de outubro de 2012
A disciplina em sala de aula
Por Celso Antunes*
Outro dia esperava pacientemente na fila minha vez de ser atendido, quando um outro cidadão, sem mais nem menos, se interpôs à frente e pretextando ser amigo de um dos “pacientes” que a minha frente aguardavam, insurgiu-se w li se instalou, deixando lá trás um mundo de resmungos. Minutos depois, esperávamos todos o elevador chegar e mal a porta se abriu uma matilha alvoroçada ingressou no mesmo, atropelando os que de lá saiam. Não demorou muito, aguardava a hora de embarque e tão logo foi feita a chamada para o vôo, uma porção de passageiros desesperados amontoaram-se à frente, deixando crianças, idosos e deficientes, com suposta preferência, entrarem por último. Sorte que os lugares eram marcados e assim não coube aos primeiros o privilégio da escolha. Entrei no vôo por último, suspirando aliviado e pensando minha sorte em não estar buscando lugar no metrô, que disputa com maior sofreguidão bem mais passageiros.
Confesso que não me habituo a essa rotina agressiva e acho muito estranho tudo isso, recordando-me de tempos atrás quando havia uma coisa civilizada chamada “fila” que, agora, parece ter desaparecido.
Nada de surpreendente no que acima se relata. Não há morador de cidade grande ou média que não percebe essa evidência, que não sabe de pai que vai a escola reclamar da falta de disciplina e atira cascas de frutas pela janela ou estaciona em mão dupla. Ser empurrado, levar cotovelada, tapa na orelha e xingamento tornou-se comum e quem desejar ficar livre desses assédios que não tente sair de casa. Ou se aprende a empurrar ou se é empurrado cada vez mais. Nada disso parece causar estranheza, mas por paradoxal que possa parecer, existem os que ficam surpreendidos com o avolumar da indisciplina em sala de aula.
A sala de aula é e sempre foi um espaço que expressa continuidade da vida, reflexo do entorno. Se assim não for, não será sala de aula verdadeira, não permitirá que o aluno contextualize em sua existência os saberes que ali aprende. Ora se a sala de aula é reflexo da sociedade e se a sociedade urbana perdeu noção de compostura e disciplina, como esperar que a escola transforme-se em um aquário social, tornando-se diferente da rua? Se aqui se fechasse esta crônica, ficaria por certo uma questão essencial. Quer dizer então que não adianta combater a indisciplina em sala de aula, uma vez que este espaço reproduz a ausência de disciplina que campeia pelas ruas?
A resposta é claramente negativa.
É essencial que se restaure a disciplina em sala de aula, que se faça desse valor um objetivo a se perseguir, não para que a sala se isole da sociedade e também não para que a aula do professor fique mais confortável, mas antes para que ali ao menos se aprenda como tentar modificar o caos urbano que o desrespeito social precipitou. Mas, como fazer isso?
Em primeiro lugar transformando-se a disciplina em um “valor”. Isto é, fazendo com que seja a mesma vista como uma qualidade humana, imprescindível à convivência e fundamental para as boas relações interpessoais. A disciplina não pode, jamais, chegar ao aluno como uma ordem, um castigo, um imperativo que partindo do mais forte, dirige-se ao oprimido em nome de seu conforto pessoal, mas como “produto” de debate, reflexão, estudo de caso e análise onde se descobre a hierarquia de povos disciplinados sobre clãs sem mando ou sobre sociedades oprimidas. A Literatura, a História e a Geografia podem se transformar em espelhos que refletem que a disciplina que se busca não é apenas a que se vê na relação professor x aluno, mas toda aquela que leva um povo à vitória, um ideal à concretização. Depois de uma ampla sensibilização sobre a disciplina enquanto valor humano cabe uma franqueza cristalina na discussão de regras, princípios, normas e fundamentos que são essenciais a todos, ainda que funções diferentes impliquem em regras não necessariamente iguais. Qual a disciplina ideal na opinião dos alunos? Qual na opinião dos professores? Quais regras são boas para todos e quais sanções cabem a quem não as cumpre? Esse diálogo não deve valer somente para se sensibilizar a classe sobre o valor da disciplina, mas para formalizar verdadeiro “contrato” que unindo interesses, exigirá reciprocidade.
Em terceiro lugar um sincero convite para que todos os membros da comunidade – alunos, pais, professores, inspetores, serventes, etc. – ajudem a escola a construir os valores que objetiva. Que se mostre o que a sala de aula está fazendo e o que espera que faça o cidadão, que se busque algumas simples regras para a comunidade que uniformizando a solidariedade, sinaliza, para a construção de um ideal. É a oportunidade para mostrar que o belo e o bom não são questão de preço, mas ação comportamental de uma comunidade. É possível imaginar o efeito de um boicote de clientes contra a instituição pública ou privada que menospreze a disciplina? A construção de regras implica tacitamente na proposição de sanções quando de sua infringência, tal como no esporte o descumprir da regra implica na falta, e estas sanções necessitam menos castigar que orientar, menos punir e bem mais relevar o sentido e a significação de se viver em grupos.
Isto mudará o mundo fora da escola, além do entorno e de sua comunidade? Ocorrerá a restauração da fila e o voltar do respeito? Impossível ter certeza, mas ainda sem ela fica a convicção de que se a comunidade não fizer da sala de aula o seu espelho, ao menos os alunos e mestres desta sala a transformarão em abrigo sereno que sonha transformar-se em pequenino modelo para uma comunidade melhor.
* Bacharelato e Licenciatura: Geografia, Especialista em Inteligência e Cognição e Mestre em Ciências Humanas.
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